03 junho 2013

PENA QUE NÃO SÃO TODOS QUE CONHECEM A PALAVRA "DISCRIÇÃO"



Os acontecimentos a seguir, são desta madrugada:

Sem nada para fazer em casa, cansado e sem animação para fazer programa, eu resolvo sair para a rua e sentir o frio da madrugada me congelar, enquanto vejo travestis fazendo programa com vestido curto e salto alto. Passa um travesti perto de mim, me come com os olhos achando que eu pudesse ser seu cliente desta noite, ela se aproxima e me manda:

Travesti: “Oi gato, tá a fim de um programa?”

Eu: “Tô sim, cobro 250 reais à hora!”

Ela sem graça vai embora.

Sempre disse que nunca vi problema em cumprimentar pessoas que se vestem de mulher ou até mesmo os mais afeminados, esta semana um amigo me disse para tomar mais cuidado para que pessoas que frequentam meu local de trabalho não me vejam em situações constrangedoras. Eu até concordei com ele, mas pouco me importo com o que o povo desta cidade pensaria se me visse nessa situação, não dou a mínima para eles. Só que agora à noite, uma situação me fez pensar muito.

Eu sou alguém público onde todos sabem o que faço e deixo de fazer, tenho uma imagem e mesmo que esteja queimada pela minha profissão de puto, ainda sim tenho que mantê-la sempre passando ser alguém descente, ou seja, situações que podem me prejudicar e me fazer perder clientela, é bom evitar. Estava na rua agora a pouco com um amigo que às vezes gosta de dar na pinta. Não se veste de mulher, mas age como tal. Como eu trabalho com o público, tenho que ter respeito e passar esta visão a eles, me colocando no meu lugar sem chamar a atenção na rua agindo como “viadinho”, meu amigo não, ele ao ver algum carro ou pessoa passando pela rua, ele mexe com a pessoa deixando-a sem graça, e a mim também.

Ponto de vista:

Não é por eu ser gay que tenho que sair gritando aos quatro cantos do mundo o que sou, já divulgo minha vida de uma forma totalmente agressiva, já é o suficiente e melhor do que estender a bandeira gay no peito e sair gritando “sou passiva!”, não que eu sinta vergonha por esta opção, mas cada um tem que se colocar em seu lugar para dar e ter respeito. Vivo a minha vida e faço o que faço, mas sem incomodar ninguém, posso exagerar nas coisas que falo ter feito, mas na rua não saio dando sinais de que eu sou o garoto que fez isso ou aquilo. Ando na minha, como alguém normal que eu sou.

Algumas travestis se aproximam da gente, eu fico na minha, mesmo sabendo que estão passando por perto pessoas que me conhecem do meu trabalho no comércio e que amanhã poderiam chegar comentando algo, como hoje enquanto eu estava no mercado e um amigo (conhecido que frequenta onde eu trabalho) comenta: “te vi ontem na rua, era de madrugada”. Fica uma situação chata, pois clientes e futuro clientes que me ver com alguém do tipo, vão se afastar de mim com medo de se expor, de me verem com ele e depois comentar que eu sou o cara que anda com os travestis. O cumprimento normal, mas ficar de papinho, não mais. Infelizmente não dá mais para ficar de conversa, como eu disse, são pessoas que não se comportam da maneira correta e chamam a atenção mais para o lado ridículo da história e não o lado ético. Eu quando ficava na rua, nunca precisei ficar pulando ou subir em árvores para que me vejam, sempre fiquei na minha e sempre fui escolhido.

Não quero prejudicar a imagem que eu tenho e quero passar, menos ainda perder o respeito dos poucos que são dignos dele aqui na cidade. Vou ter que selecionar melhor minhas amizades e cortar algumas pessoas.


 
Anterior Proxima Página inicial

0 Comentários:

Postar um comentário

Fala que eu te escuto