14 julho 2017

ESTUDANTE ACUSA POLICIAL CIVIL DE AGRESSÃO MOTIVADA POR HOMOFOBIA EM NITERÓI


O calouro de artes na UFF, Andrei Apolonio dos Santos, 23, denunciou na tarde desta sexta-feira (14) agressões motivadas por LGBTfobia de um agente de segurança pública em plantão na unidade da Polícia Civil em Itaipu, região oceânica de Niterói.

O caso foi levado à Corregedoria Interna da Polícia Civil (COINPOL) na noite desta quinta-feira (13), onde a delegada de plantão, Viviane Batista, determinou o registro da ocorrência e o encaminhou a exame de corpo de delito. A assessoria da COINPOL informou que está previsto para a próxima segunda-feira (17) a realização do auto de reconhecimento dos policiais acusados da agressão.

As Comissões de Direitos Humanos da Câmara Municipal de Niterói e da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) estão acompanhando o caso de Andrei, e oferecendo suporte à vítima no decorrer do processo.

“Eu quero justiça, eu quero que a pessoa que fez isso veja o quão marginal e animalesca ela foi. Ele deve pagar por isso”, disse o estudante.

Andrei conta que comemorava o fim do primeiro período na Universidade Federal Fluminense com amigos na última quarta-feira (12), e no percurso de volta para casa adormeceu no ônibus e quando acordou, por volta de 4h da manhã, se deu conta de que seu celular havia sido furtado. Em seguida, ainda de acordo com o estudante, se dirigiu a 81ª DP de Itaipu para fazer o registro de ocorrência, quando foi agredido verbalmente e fisicamente pelo policial de plantão na madrugada de quinta.

O estudante alega ter sido arrastado para dentro da delegacia, ao mesmo tempo em que era humilhado por sua orientação sexual, e após tentativa de fuga, fora novamente agredido fisicamente até perder três dentes. 

“Eu entrei em um lugar para fazer um Boletim de Ocorrência sem nenhum arranhão e sai aos cacos e sem o registro. Mas estou bem, podia estar pior”, disse Andrei que lembra que sofreu ameaça de morte, caso denunciasse o caso. "Ele disse que da mesma forma que fez o que fez, podia 'descarregar um pente' em mim", completou. 

As Comissões de Direitos Humanos que estão acompanhando o caso de Andrei denunciam, principalmente, a violação de direitos pelo Estado: “tortura em cárcere privado em uma unidade do estado praticada por um agente de segurança pública contra um cidadão que só queria registrar uma queixa”, disse Benny Briolly, assessora parlamentar transsexual, que cuida da pauta LGBT no gabinete da vereadora de Niterói Talíria Petrone (PSOL).

“Eu estava vivendo o melhor momento da minha vida até acontecer isso. Mas isso não é um ponto final, é apenas uma vírgula”, disse o estudante, que ressalta que ainda sente medo, porém não pretende ficar deprimido, e sim levar a denúncia até o fim.

“O meu sentimento é de me fortalecer, eu estou me mantendo muito confiante, e tentando sobreviver. Eu preciso, a partir de agora, resguardar a minha vida, e a vida dos meus familiares e amigos que amo e não quero colocar em risco. O que me incomoda é que de certa forma eu dependo de outros policiais para julgar o meu caso”, acrescentou.

O trauma vivido por Andrei está longe de ser uma exceção: segundo dados do programa Rio Sem Homofobia, do governo do estado, nos últimos dois anos, 732 gays, lésbicas, travestis e transexuais procuraram atendimento no Centro de Cidadania LGBT Leste, que funciona no Ingá e atende vítimas de violência de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Maricá. O número total no período traduz a média de um caso registrado por dia. Já no Brasil, um assassinato é cometido a cada 25 horas motivado por LGBTfobia.

Benny Briolly conta que lida cotidianamente com essa estatística. E acrescenta que "o caso do Andrei traz a realidade de que um agente do estado, que deveria colaborar para o exercício da segurança, se torna autor de um crime que poderia levar essa pessoa até a morte”.

“Quando o agente agride sem dó e se diverte através dessa violência, ele reproduz o posicionamento ideológico dele contra a população LGBT como algo que não deveria existir. E essa é uma luta que a gente trava contra o modelo de sociedade conservador. Agora, contra o estado não é cabível, porque a função dele é zelar pela segurança da população como todo”, completou Benny, finalizando: “Eu não sei, se eu estivesse no lugar dele, se eu teria essa força para lutar do jeito que ele está lutando”.

Hoje em dia quem diz “não gostar de polícia” é visto como um bandido, quando na verdade não sabemos até que ponto podemos confiar e entregar nossa segurança nas mãos daqueles que nem sempre estão do lado da lei.

Até quando iremos conviver com essas indiferenças por sermos gays ou negros? Acho que todo o tipo de preconceito deveria ter acabado faz tempo, principalmente o racismo! Ainda mais aqui no Brasil, país onde todos somos descendentes de índios ou escravos. 

Há uns dois anos atrás eu pensei em entrar para a polícia. Motivo: não sofrer preconceito e discriminação por causa da minha cor. Eu acreditava que me tornando uma autoridade eu seria de certa forma “respeitado obrigatoriamente” e poderia aplicar a justiça como ela deve ser feita, defender quem realmente precisa. Mas alguns me aconselharam a permanecer na prostituição, onde me rendeu uma vida financeira boa, mas não aquele respeito que eu sempre quis ter.

#ForçaAndrei

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5 comentários:

  1. Imagine quantas pessoas deixam de registrar queixas por medo de ser mais uma estatística de crimes cometidos por policiais.Absurdo isso existir hoje em dia!

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    1. Eu mesmo já deixei de registrar muita queixa por medo! Hoje me arrependo. Queria ter tido a mesma garra que este estudante teve.

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  2. Gay tem que levar lampada fluorescente na cara mesmo!

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    1. Vai te catar Ruan!

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    2. Tu tem que levar um pau no teu cu, cara! Por pessoas iguais a você que o Brasil não vai pra frente.

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