MANCHETES - TÔ NA MÍDIA

Fiquei muito contente com o resultado de minha aparição na televisão. Além dos meus amigos de infância terem assistido, ganhei novos amigos, pessoas que se inspiraram pela minha história me desejando ainda mais sucesso. Sem contar as notinhas pela internet, dizendo que o programa teve uma das maiores audiências desde a sua estreia.



Um fato curioso foi que, dia seguinte, peguei um táxi e fui até o shopping fazer compras. No meio do caminho passamos perto de umas prostitutas, e o taxista que já estava à vontade comigo, se manifestou com um ar de reprovação:

“Você viu a entrevista que passou na Tv falando sobre garotos de programa? Eu achei aquele último garoto maluco em se prostituir por dinheiro!”.  – Sim, ele se referia a mim, mas como eu não havia mostrado rosto na reportagem, ele não me reconheceu no banco de trás do táxi.

Ele, como muitos outros, mostraram sua indignação às pessoas que se prostituem em troca de dinheiro. Não o culpo. É apenas mais um que não aceita sexo em troca de dinheiro. 

Esta minha aparição acabou sendo uma prova de que eu era garoto de programa. Muitas pessoas que me conhecem desde pequeno sempre suspeitaram que eu fosse o Hiago Waldeck, mas nunca tiveram certeza. Depois desta entrevista, não teve jeito. Recebi mensagens de pessoas dizendo que tinham dúvidas, mas depois de me verem – mesmo que de costas – tiveram a certeza de que era eu.

Teve aqueles “amigos” malas que, quando viram algumas notícias minhas na internet, me escreveram me cobrando:

“Você mentiu pra mim” ou “deveria ter me contado sobre seu passado”.

 Parecia que eu estava vivendo um relacionamento com eles, que se sentiram traídos por não ter dito que fui garoto de programa. Convenhamos, há necessidade disso? Todo mundo que eu conhecer tenho que me apresentar como: “Prazer, me chamo Hiago. Sou ex-garoto de programa, escritor e blogueiro”.

Acho desnecessário, não é todo mundo que conheço no dia a dia ou passo meses conversando que tenho confiança em abrir sobre minha vida particular (apesar de que minha vida é toda exposta na internet). 

Antigamente eu tinha medo da exposição, agora até que tô gostando. 








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