Os acontecimentos a seguir, são desta madrugada:
Sem nada para fazer em casa, cansado e sem animação para
fazer programa, eu resolvo sair para a rua e sentir o frio da madrugada me
congelar, enquanto vejo travestis fazendo programa com vestido curto e salto
alto. Passa um travesti perto de mim, me come com os olhos achando que eu
pudesse ser seu cliente desta noite, ela se aproxima e me manda:
Travesti: “Oi gato, tá a fim de um programa?”
Eu: “Tô sim, cobro 250 reais à hora!”
Ela sem graça vai embora.
Sempre disse que nunca vi problema em cumprimentar pessoas
que se vestem de mulher ou até mesmo os mais afeminados, esta semana um amigo
me disse para tomar mais cuidado para que pessoas que frequentam meu local de
trabalho não me vejam em situações constrangedoras. Eu até concordei com ele,
mas pouco me importo com o que o povo desta cidade pensaria se me visse nessa
situação, não dou a mínima para eles. Só que agora à noite, uma situação me fez
pensar muito.
Eu sou alguém público onde todos sabem o que faço e deixo de
fazer, tenho uma imagem e mesmo que esteja queimada pela minha profissão de
puto, ainda sim tenho que mantê-la sempre passando ser alguém descente, ou
seja, situações que podem me prejudicar e me fazer perder clientela, é bom
evitar. Estava na rua agora a pouco com um amigo que às vezes gosta de dar na
pinta. Não se veste de mulher, mas age como tal. Como eu trabalho com o
público, tenho que ter respeito e passar esta visão a eles, me colocando no meu
lugar sem chamar a atenção na rua agindo como “viadinho”, meu amigo não, ele ao
ver algum carro ou pessoa passando pela rua, ele mexe com a pessoa deixando-a
sem graça, e a mim também.
Ponto de vista:
Não é por eu ser gay que tenho que sair gritando aos quatro
cantos do mundo o que sou, já divulgo minha vida de uma forma totalmente
agressiva, já é o suficiente e melhor do que estender a bandeira gay no peito e
sair gritando “sou passiva!”, não que eu sinta vergonha por esta opção, mas
cada um tem que se colocar em seu lugar para dar e ter respeito. Vivo a minha
vida e faço o que faço, mas sem incomodar ninguém, posso exagerar nas coisas
que falo ter feito, mas na rua não saio dando sinais de que eu sou o garoto
que fez isso ou aquilo. Ando na minha, como alguém normal que eu sou.
Algumas travestis se aproximam da gente, eu fico na minha,
mesmo sabendo que estão passando por perto pessoas que me conhecem do meu trabalho
no comércio e que amanhã poderiam chegar comentando algo, como hoje enquanto eu
estava no mercado e um amigo (conhecido que frequenta onde eu trabalho)
comenta: “te vi ontem na rua, era de madrugada”. Fica uma situação chata, pois clientes e futuro clientes que me ver com alguém do tipo, vão se afastar
de mim com medo de se expor, de me verem com ele e depois comentar que eu sou o
cara que anda com os travestis. O cumprimento normal, mas ficar de papinho, não
mais. Infelizmente não dá mais para ficar de conversa, como eu disse, são
pessoas que não se comportam da maneira correta e chamam a atenção mais
para o lado ridículo da história e não o lado ético. Eu quando ficava na rua,
nunca precisei ficar pulando ou subir em árvores para que me vejam, sempre
fiquei na minha e sempre fui escolhido.
Não quero prejudicar a imagem que eu tenho e quero
passar, menos ainda perder o respeito dos poucos que são dignos dele aqui na cidade. Vou ter que selecionar melhor minhas amizades e cortar algumas pessoas.



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