
Em 2014 eu estava no consultório de minha dentista, em
Resende. Ela havia visto algumas fotos de viagens onde eu levei algumas amigas comigo. Enquanto me atendia ela disse:
“É muito bom a gente ter amigos, sair e nos divertir. Mas um
conselho que te dou, procure dar uma maneirada nas viagens e nos gastos com
amigos’’. Foi mais ou menos assim que ela disse.
Eu ouvi, mas não guardei suas
palavras. Apesar de ser uma pessoa que eu respeito, naquele momento pensei “só
mais um dos milhões de conselhos que recebo’’.
Ano passado, em 2019, passei por um momento muito tenso,
onde eu estava mal, chateado. Certo dia saí pelas ruas sem rumo, precisando de
um abraço e tentando procurar conforto. Naquele momento eu olhei para meu lado
e não havia ninguém: nenhum “amigo”, primos, colegas. Ninguém. As pessoas
felizes que postavam fotos comigo não estavam do meu lado me dando apoio em um
dos momentos que mais precisei. Nessa hora o que minha dentista havia falado
ficou ecoando na minha cabeça. Era como se eu estivesse compartilhando momentos
felizes com pessoas erradas, e ela pôde perceber isso antes de mim e tentou me
alertar.
Naquele dia eu estava em um parque, quando dois garotos se
aproximaram e vieram conversar comigo:
“Oi, tudo bem?’’
“Tudo!”
“Eu sou o Miguel e este é o (não lembro o nome dele)”. Somo de
tal igreja e te vendo de longe, Deus tocou no meu coração pra vir falar
contigo. Queria saber se a gente pode orar para você’’.
Dois garotos de 17 anos sentaram do meu lado e começaram a
conversar comigo. Meu momento de solidão foi preenchido por dois desconhecidos
que foram usados por Deus para me dar o amparo que não tive dos meus “amigos”. Eles
se sentaram comigo, oraram por mim e ainda ficaram me dando conselhos.
Sabe quando cai uma carga de refrigerante na estrada que
aparecem pessoas do nada para saquear as bebidas? Certa vez voltando do Rio de
Janeiro eu presenciei essa cena e me perguntei “de onde saiu esse povo?”. Sério,
estávamos no meio da estrada, longe de toda e qualquer residência e mesmo assim
apareciam pessoas com crianças de colo carregando fardos de refrigerante. As “amizades”
que tive na vida foram iguais as pessoas que saquearam o caminhão. Pessoas que
se aproveitaram de mim, precisaram de mim, e só apareciam quando eu estava bem, mas quando sentiam o cheiro de quando
estava triste e precisando de apoio, desapareciam.
Antes tarde do que nunca, mas resolvi apagar, banir e
bloquear literalmente essas pessoas tóxicas e aproveitadoras da minha vida. E acredite,
foi um alivio não carregá-las nas costas. Afinal de contas, só estavam ali
esperando o momento certo para se aproximar e se aproveitar de mim novamente
quando eu estivesse no meu dia feliz.



Boa tarde. Descobri ao acaso seu blog. Estou lendo e adorando. Em relação a "amigos" aprendi há muito tempo que não temos, o que possuímos são colegas. Abraços
ResponderExcluirObrigado pela visita! Bom, acabei aprendendo tarde, mas hoje vejo que todos os meus "amigos" eram apenas colegas. Não vou cometer os mesmos erros, tô me afastando aos poucos.
ExcluirOlá, Hiago! Comecei ler seu livro ontem e terminei hoje de manhã. Amei o livro e sua forma de escrever. A forma como descreve sua vida é tão clara! Obrigada pela coragem de relatar sua vida, que por sinal, é admirável. Beijos!!!!
ResponderExcluirMuito obrigado pela mensagem, Daina. Meu livro está entrando na segunda edição, está mais completo, pois falo sobre coisas que não tive coragem de falar antes. Quando ele for lançado, te enviarei um de presente. Mais uma vez obrigado por dedicar seu tempo em me escrever. Sua mensagem alegrou meu dia!
ExcluirMuita paz e luz em seu caminho.
❤️
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