Não me canso de fazer aquilo que gosto e me faz bem. Se voar
é algo que me alegra, porque não irei fazer? Ontem estava pelo Rio de Janeiro
pra mais um passeio pela cidade, mas de helicóptero. Acabei sobrevoando a
favela da Rocinha e Vidigal. Confesso que, mesmo estando pacificada, morri de
medo de uma bala perdida.
Depois acabei indo conhecer a obra de Oscar Niemeyer, que
era uma das coisas que não havia conhecido quando ia ao Rio. Só pude conhecer
por fora, pois o museu estava em reforma e fechado para visitação. Mesmo assim,
adorei ter conhecido o disco voador de Niterói.
Meu dia foi perfeito, não posso reclamar da situação que
vivo no momento, mas por um segundo, eu cheguei a ficar chateado com algumas
cenas que vi. Eu estava no Rio, gastando uma fortuna em voo de helicóptero e
táxi pela cidade. Pelo caminho, vi várias pessoas vivendo situações bem
diferentes, o que me deixou muito chateado. Eu ali gastando, enquanto muitos
estavam precisando da metade do que gastei pra poder sobreviver. Moradores de
rua, famílias debaixo da ponte com criança de colo. Isso pesou um pouco na
minha consciência depois.
Na volta, depois desse momento de reflexão, acabei vindo
de ônibus pra Resende. Tentei pôr em prática minha humildade, que por muito tempo esqueci de
usar e a guardei no bolso. Eu até curto andar de ônibus, principalmente quando
quero ficar sozinho, sem o motorista ir falando comigo. Fiquei na última
poltrona, a 45. Estava tranquilão, até perceber que um rapaz não parava de me
olhar e sem disfarçar. Dentro de um ônibus, luzes apagadas e cheio de gente, não
deu outra, coloquei em prática a fantasia de transar em público. Comecei a me exibir, e de brinde ganhei o sexo oral dele dentro do ônibus. Ele queria me arrastar para o banheiro, mas achei arriscado, pois poderíamos ser flagrados na saída do banheiro. Bom, valeu a pena ter voltado de transporte público.
Boa noite.
Boa noite.






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