O calouro de artes
na UFF, Andrei Apolonio dos Santos, 23, denunciou na tarde desta sexta-feira
(14) agressões motivadas por LGBTfobia de um agente de segurança pública
em plantão na unidade da Polícia Civil em Itaipu, região oceânica de Niterói.
O caso foi levado à
Corregedoria Interna da Polícia Civil (COINPOL) na noite desta quinta-feira
(13), onde a delegada de plantão, Viviane Batista, determinou o
registro da ocorrência e o encaminhou a exame de corpo de delito. A assessoria
da COINPOL informou que está previsto para a próxima segunda-feira (17) a
realização do auto de reconhecimento dos policiais acusados da agressão.
As Comissões de Direitos
Humanos da Câmara Municipal de Niterói e da Assembleia Legislativa do Rio de
Janeiro (Alerj) estão acompanhando o caso de Andrei, e oferecendo suporte à
vítima no decorrer do processo.
“Eu quero justiça, eu quero
que a pessoa que fez isso veja o quão marginal e animalesca ela foi. Ele deve
pagar por isso”, disse o estudante.
Andrei conta que comemorava
o fim do primeiro período na Universidade Federal Fluminense com
amigos na última quarta-feira (12), e no percurso de volta para casa adormeceu
no ônibus e quando acordou, por volta de 4h da manhã, se deu conta de que seu
celular havia sido furtado. Em seguida, ainda de acordo com o estudante, se
dirigiu a 81ª DP de Itaipu para fazer o registro de ocorrência, quando foi
agredido verbalmente e fisicamente pelo policial de plantão na madrugada de
quinta.
O estudante alega ter sido
arrastado para dentro da delegacia, ao mesmo tempo em que era humilhado por sua
orientação sexual, e após tentativa de fuga, fora novamente agredido
fisicamente até perder três dentes.
“Eu entrei em um lugar para
fazer um Boletim de Ocorrência sem nenhum arranhão e sai aos cacos e sem o
registro. Mas estou bem, podia estar pior”, disse Andrei que lembra que sofreu
ameaça de morte, caso denunciasse o caso. "Ele disse que da mesma forma
que fez o que fez, podia 'descarregar um pente' em mim", completou.
As Comissões de Direitos
Humanos que estão acompanhando o caso de Andrei denunciam, principalmente, a
violação de direitos pelo Estado: “tortura em cárcere privado em uma unidade do
estado praticada por um agente de segurança pública contra um cidadão
que só queria registrar uma queixa”, disse Benny Briolly, assessora parlamentar
transsexual, que cuida da pauta LGBT no gabinete da vereadora de Niterói
Talíria Petrone (PSOL).
“Eu estava vivendo o melhor
momento da minha vida até acontecer isso. Mas isso não é um ponto final, é
apenas uma vírgula”, disse o estudante, que ressalta que ainda sente medo,
porém não pretende ficar deprimido, e sim levar a denúncia até o fim.
“O meu sentimento é de me
fortalecer, eu estou me mantendo muito confiante, e tentando sobreviver. Eu
preciso, a partir de agora, resguardar a minha vida, e a vida dos meus
familiares e amigos que amo e não quero colocar em risco. O que me incomoda é
que de certa forma eu dependo de outros policiais para julgar o meu caso”,
acrescentou.
O trauma vivido por Andrei
está longe de ser uma exceção: segundo dados do programa Rio Sem Homofobia, do
governo do estado, nos últimos dois anos, 732 gays, lésbicas, travestis e
transexuais procuraram atendimento no Centro de Cidadania LGBT Leste, que
funciona no Ingá e atende vítimas de violência de Niterói, São Gonçalo,
Itaboraí e Maricá. O número total no período traduz a média de um caso
registrado por dia. Já no Brasil, um assassinato é cometido a cada 25 horas
motivado por LGBTfobia.
Benny Briolly conta que lida
cotidianamente com essa estatística. E acrescenta que "o caso do
Andrei traz a realidade de que um agente do estado, que deveria colaborar para
o exercício da segurança, se torna autor de um crime que poderia levar essa
pessoa até a morte”.
“Quando o agente agride sem
dó e se diverte através dessa violência, ele reproduz o posicionamento
ideológico dele contra a população LGBT como algo que não deveria existir. E
essa é uma luta que a gente trava contra o modelo de sociedade conservador. Agora,
contra o estado não é cabível, porque a função dele é zelar pela segurança da
população como todo”, completou Benny, finalizando: “Eu não sei, se eu
estivesse no lugar dele, se eu teria essa força para lutar do jeito que ele
está lutando”.
Hoje em dia quem diz “não gostar de polícia” é visto como
um bandido, quando na verdade não sabemos até que ponto podemos confiar e
entregar nossa segurança nas mãos daqueles que nem sempre estão do lado da lei.
Até quando iremos conviver com essas indiferenças por
sermos gays ou negros? Acho que todo o tipo de preconceito deveria ter acabado
faz tempo, principalmente o racismo! Ainda mais aqui no Brasil, país onde todos
somos descendentes de índios ou escravos.
Há uns dois anos atrás eu pensei em entrar para a
polícia. Motivo: não sofrer preconceito e discriminação por causa da minha cor.
Eu acreditava que me tornando uma autoridade eu seria de certa forma
“respeitado obrigatoriamente” e poderia aplicar a justiça como ela deve ser
feita, defender quem realmente precisa. Mas alguns me aconselharam a permanecer
na prostituição, onde me rendeu uma vida financeira boa, mas não aquele
respeito que eu sempre quis ter.
#ForçaAndrei



Imagine quantas pessoas deixam de registrar queixas por medo de ser mais uma estatística de crimes cometidos por policiais.Absurdo isso existir hoje em dia!
ResponderExcluirEu mesmo já deixei de registrar muita queixa por medo! Hoje me arrependo. Queria ter tido a mesma garra que este estudante teve.
ExcluirGay tem que levar lampada fluorescente na cara mesmo!
ResponderExcluirVai te catar Ruan!
ExcluirTu tem que levar um pau no teu cu, cara! Por pessoas iguais a você que o Brasil não vai pra frente.
Excluir