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DESESPERO - FACE DA DEPRESSÃO PARTE 3#

Em 2015 eu achava estar vivendo a melhor fase da minha vida. Estava trabalhando, sendo reconhecido pelo meu trabalho como garoto de programa, atendia muitos clientes e era idolatrado pelas pessoas da internet que sonhavam em seguir os mesmos passos que eu. Só que no meio do ano eu percebi que ainda estava depressivo, mas não havia percebido isso.

Eu estava viajando e fingindo ser feliz, até que no meio de um surto tentei pela terceira vez o suicídio.

Meu médico me passou um artigo onde dizia que pessoas que tentam o suicídio são pessoas que têm algum transtorno mental, ou seja, existem aquelas pessoas que tiram suas próprias vidas por estarem desempregadas ou terem sofrido desilusões amorosas, mas isso não é culpa da pessoa e sim da doença que ela carrega, do transtorno. Não importa o quanto você seja rico, feliz ou triste, isso não é culpa do estilo de vida que a pessoa está levando. Não importa que você seja amado, bem sucedido na vida, se você tiver o transtorno (depressão), você corre o risco de apresentar o comportamento suicida, caso você não seja tratado direto. E foi o que aconteceu comigo.

Era o mês de setembro, e como de costume, passava meu aniversário em um resort em Ubatuba. Nesta época eu tinha um relacionamento meio conturbado, amava e não era correspondido, e viajar era uma forma de me distrair. No fundo, não era somente a dor da desilusão que eu estava sentindo e não era este o motivo pelo qual queria morrer, eu estava triste, era frio, sorria com meus amigos, mas em casa chorava sozinho e escondia este sentimento de todos. Quando voltei de viagem, no qual havia levado uma prima comigo, tentei o suicídio em minha residência, na cidade de Resende.  A viagem com minha prima havia sido perfeita: ficamos a beira da piscina do resort conversando, fomos a praia, praticamos algumas atividades no local, bebemos, e só quando cheguei em casa, sozinho, que o desespero tomou conta de mim.

22 de setembro, meu aniversário em 2015. Um dia ante de tentar suicídio. 
(como havia dito, não é bom que a gente fale das formas utilizadas para tirarmos nossa própria vida, pois isso não ajuda, mas incentiva os outros a usarem os mesmos métodos que tentamos).

Na época eu não fiz drama pra ninguém, carta de despedida ou vídeos para mostrar minhas tentativas. Hoje em dia muitas pessoas fazem isso (infelizmente). Eu havia acordado, minha cabeça estava pesada, confusa e tudo que eu queria era que aquilo tudo acabasse. Eu queria dormir e não sofrer com a confusão mental que eu tinha. 

Depois de mais uma tentativa frustrada de suicídio, ficava imaginando formas de resolver o problema sem que me arrependesse depois por não ter conseguido acabar comigo. A melhor forma que encontrei foi procurar por ajuda, foi então que nesta época comecei a ter ajuda com psicólogo. Achei que seria importante ter alguém que pudesse conversar, entender meus problemas e ajudar a entender meus transtornos. Achei mais confiável ter minhas consultas em São Paulo, pois achei que a cidade teria profissionais mais qualificados para me atender. 




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BULLYING – FACE DA DEPRESSÃO PARTE 2#

Na escola eu sofria bullying por ser negro, pobre, orelhudo e ter cabelo grande. Chegava em casa e tinha que ouvir que eu era vagabundo, não seria ninguém na vida e alguns familiares questionando minha sexualidade como se fosse da conta deles (leia sobre isso aqui).

Por conta das agressões que eu recebia de todos os lados, um dia tive a brilhante ideia de ir armado com uma faca para a escola. Minha intenção era esfaquear meus agressores e assim ficar livre dos meus problemas. Era isso que passava pela minha cabeça. Eu estava cansado, todos os dias chegava em casa chorando e no desespero quase tentei o homicídio. Minha idade na época? Devia ter meus 12 anos e meus agressores pessoas muito mais velhas que eu.

Naquele momento não pensava que poderia ser preso, não imaginei a dor que eu causaria aos familiares dos agressores, apenas queria que eles sentisse uma dor maior da que estavam me causando. Eu acho que foi Deus agindo neste momento, pois todos os dias que cheguei a levar faca para a escola, meus agressores não tinha ido. 

Infelizmente consigo lembrar e sentir o desespero dessa época. A mesma faca que levei a escola foi o objeto com que tentei cortar meus pulsos. Naquele dia meus agressores não tinham ido à escola, mesmo assim não chegava a ser um descanso pra minha cabeça. O desespero nesse dia foi tanto, que ao estar no meu quarto em mais uma tentativa de suicídio, acabei me desesperando após inúmeras vezes passar a faca pelo meu pulso.

Muitos anos depois fui descobrir e ver casos contados pela mídia de garotos agredidos na escola (e em casa) que tentaram fazer o mesmo que eu. 

                   

Infelizmente por não ter alguém que me defendesse, acabei criando e carregando traumas de infâncias que possuo até nos dias de hoje, medo e insegurança. O Eric Smith, relatado no vídeo acima também sofria bullying e acabou cometendo assassinato.

Bullying pode causar isolamento, transtorno de personalidade e depressão, segundo especialista.


Segundo a psicóloga especialista em bullying infantil, Flávia Tavares, a prática pode ter uma grande influência negativa na vida da criança e do adolescente, que pode até levá-lo a praticar a ação com outras pessoas no futuro. “Podem causar mudança no comportamento. A criança ou a pessoa pode ficar isolada, não sair de casa com medo. Até mesmo pode mudar o comportamento dessa pessoa, quando ela sofre bullying quando criança, e se torna adulta, vê que está mais forte e mais poderosa, ela pode até fazer isso com as outras pessoas que ela possa se achar superior. Então ela pode vir até a praticar o bullying. E pode causar também muito sofrimento. Além do isolamento ela pode vir a ter uma depressão, causar transtorno de personalidade e por aí vai.”


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POR QUE EU TENTEI SUICÍDIO – FACE DA DEPRESSÃO PARTE 1#

Eu cresci e fui criado em um ambiente familiar não muito confortável, e isso causa um impacto muito forte em uma criança, atrapalhando até mesmo na formação de caráter e comportamento ao decorrer da vida.

  • ·         Na escola eu era hostilizado por ser negro, pobre, não me vestir bem, ter cabelo black power e ser orelhudo. Chegava em casa todos os dias chorando, magoado, querendo apenas paz.

  • ·         Em casa recebia críticas por não trabalhar, não capinar um quintal, ouvia várias acusações de coisas que não fiz, ouvia de irmãos que eu era um vagabundo, que não seria ninguém na vida e que ficaria sozinho no mundo caso a mãe falecesse (até papel higiênico usado já foi esfregado na minha cara). A recordação que tenho dos meus pais são deles brigando, meu pai sentindo vergonha de mim por não trabalhar aos 10 anos de idade, e de  minha mãe dizendo que iria se separar e que eu teria que escolher com quem ficaria perante o juiz.


Um dia estava indo dormir na casa de uma tia, pessoa que sempre me deixava passar os finais de semana na casa dela. Ela foi a única que percebeu que havia algo errado e um dia me abordou perguntando se estava acontecendo algo. Mas não tive coragem para desabafar e acabei sofrendo calado naquela noite.

Tá vendo este menino de 4 anos sorrindo na foto? Sou eu. 10 anos depois tentaria suicídio.

Aos 14 anos já estava tendo consultas com psicólogos por conta de vários transtornos que acabei tendo devido a má influência da minha própria família. Desenvolvi um quadro de Transtorno de Ansiedade, Transtorno Bipolar, bulimia e anorexia, chegando ao ponto de frequentar hospitais três vezes por semana.

Foi aí que tentei meu primeiro suicídio. Estava cansado da minha vida e não via motivos para continuar. Eu tive duas ideias para acabar com minha vida e acabei utilizando um meio que seria fácil pra mim. Não vou compartilhar quais foram minhas ideias e práticas de suicídio, pois a Organização Mundial da Saúde fala que não é uma boa ideia você compartilhar suas experiências e formas utilizadas para o suicídio, pois isso não agrega no plano de combater a prática. Eu poderia ter ficado anos deitado no chão, não teria nenhuma pessoa que iria imaginar que eu estava desmaiado após a tentativa. Minha tentativa acabou não acontecendo, pois a forma que eu utilizei acabou apenas me deixando inconsciente por algumas horas.

Após este episódio continuei frequentando psicólogos,  psiquiatra e não comentei sobre minha tentativa.

Alguns diziam que era uma forma de chamar a atenção (???), outros que era falta de serviço. Eu estava com um quadro de depressão, partindo para a loucura e alucinações, e mesmo assim, era visto como um desocupado.

MEU PONTO DE VISTA:


 Gente, a formação do caráter de uma criança é formado até os 7 anos. Tudo o que você viveu até essa idade influencia diretamente em quem você será. O relacionamento direto com o pai e a mãe influenciam sua sexualidade, por exemplo, e a debilidade em qualquer um deles te faz olhar de forma diferente a figura materna ou paterna. 

Talvez você viveu a rejeição de um pai, talvez você é fruto de uma gravidez indesejada e sua mãe te trata como se você tivesse tirado dela a opção de escolha de ter uma vida diferente. 

Ver e ouvir algumas coisas tira completamente a inocência da criança e fez com que algumas coisas se tornassem algo natural pra você. Afinal, criança é curiosa o suficiente para fazer igual aquilo que ela vê. 

Eu não tive culpa. Você não teve culpa. Você cresceu e errou por que erraram com você.





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