23 abril 2016

PROSTITUIÇÃO NAS RUAS - FICA A DICA


Enquanto fazia um tour por São Paulo, acabei notando como funciona a prostituição a luz do dia e acabei achando curioso algumas situações sobre meus amigos profissionais do sexo. Estava no centro da cidade quando percebi que estava ao lado de um parque, aonde fiz questão de conhecer. O lugar era dividido em grupos: de um lado as garotas, do outro os meninos de programa e espalhados por todos os cantos estavam os trombadinhas. Não sou o melhor dos melhores, mas queria pelo menos dar umas dicas a esse povo que trabalha na rua: Pare que tá feio. Eu explico.

  • ROUPAS: Como sempre venho dizendo, não precisa ser belo para se prostituir, mas isso não quer dizer que você tenha que usar qualquer coisa pra sair de casa, né. Vi tantos meninos, até que bonitos, mas usando camiseta de liquidação, daquelas que você sai na rua e vê trinta pessoas usando a mesma, junto de bermudas militares e tênis falsificados. Nessa hora eu estava na dúvida se eram garotos de programas ou assaltantes. Na hora acabei dando uma de estilista Ronaldo Esper e alfinetei alguns dos meus companheiros de profissão. No meu início de carreira eu também não tinha dinheiro para comprar roupas. Acho que por isso foi difícil arrumar clientes na época.
  • CARNE NO AÇOUGUE: Outra coisa que eu acho errado no sexo pago são os garotos se oferecerem ao invés de deixarem serem procurados. Estando na rua, não quer dizer que você tenha que se vender igual na 25 de Março aonde os ambulantes esfregam os produtos na sua cara quando passam perto deles para que você os leve. Teve um garoto que estava se oferecendo pra mim, tentou puxar papo na intenção de logo em seguida oferecer sexo, mesmo nem sabendo se eu estaria interessado. Mesmo na rua, a gente tem que se colocar no nosso lugar. Não é por sermos gay que somos “obrigados” a transar, ficar de pau duro e gozar com qualquer pessoa, do mesmo jeito que uma mulher por ter uma buceta entre as pernas, não é obrigada a dar pra qualquer homem só por ser mulher. É mais prazeroso saber que o cliente chegou até você por vontade própria.
  • CLIENTES: Nem os clientes (os pobres) hoje em dia sabem chegar num garoto de programa. Esse mundo tá perdido! Eu não estava fazendo programa na rua, e mesmo estando parado, chega um coroa perto pra me intimar. Logo de cara ele chega perguntando o que eu curto fazer na cama e nem espera minha resposta e começa a falar de sua vida, problemas de saúde e reumatismo. Sabe aquelas pessoas que sabem que você cobra por sexo, mas fica horas e horas falando na sua cabeça e no fim das contas não te chama pra fuder e empaca sua foda com outras pessoas? Então, ele é esse tipo de pessoa. Quando ele deu uma pausa e me pergunta novamente do que eu gosto, não pensei duas vezes e mandei: “curto dinheiro, viagens e andar de helicóptero”. Ainda sim ele não entendeu o fora que eu estava dando e diz: “eu curto beijar, namorar e fuder muito”. Então eu rebato dizendo: “que pena, temos gostos diferentes. Tchau” e saí andando.
  • GAROTAS DE PROGRAMA: Miga, sua loca, que cê tá fazendo?! As garotas de programa de rua do centro de São Paulo são bonitas, bem naturais. Acabei recebendo a cantada de uma delas, que me chamou a atenção por sua beleza. Não estava exagerada como muitas ficam, todas pintadas parecendo o Bozo. A beleza natural dela dispensa qualquer maquiagem.
  •  O problema foi a sua amiga ao lado, estava vestida como se tivesse indo para um show de graça da prefeitura, tadinha. Estava com cara de puta pobre. Sapatinho cano alto da promoção da Azaleia (daquelas que na primeira lavada fica tudo russo), jaquetinha de couro idêntica das festas de peão e uma calça de legging. Toda puta pobre usa legging, pois ela é muito barata. Mais barata que um saco de arroz. Uma amiga minha uma vez levou uma bronca de um cliente que disse a ela: “não te pago 4 mil reais pra você usar isso comigo”. Na mesma hora ela contratou um especialista em moda e hoje sabe se vestir bem.

  • FALSIFICAÇÃO: Última dica: Amigos, cliente bom de verdade (falo dos ricos e que pagam bem) conhecem marcas de grife, então, não adianta aparecer com uma camisa falsificada da Lacoste achando que tá fazendo sucesso, pois não tá e eles perceberam a falsificação bem antes que você. Eu, por exemplo, de longe consigo identificar uma imitação. Quando vem com aquele papinho de que pagou barato, pois estava na liquidação, já sei que é mentira. Eu sou um cliente fixo da Lacoste e nunca ganhei desconto numa camiseta a ponto de pagar abaixo de 300 reais por ela. Isso quando não aparecem com o jacarezinho da marca de cabeça pra baixo. Meu Deus, um dia vi um menino usando na rua, quase voei nele e arranquei a camisa a força. Cuidado!




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6 comentários:

  1. Qual o seu nome verdadeiro?

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    1. Pedro, Gustavo, Juliano, Felipe... Que nome você prefere?

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  2. sempre gostei do seu blog, achava você divertido, sincero e com boa escrita, mas fiquei profundamente decepcionado em ver no instagram ao lado você fazendo coro aos golpistas reacionários contra a dilma. Triste, ainda mais vindo de uma pessoa que tem uma profissão que a maioria destes golpistas hipócritas trata como sendo do diabo. Entristeceu-me. Bye!!!

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  3. aceitas, fico feliz.

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    1. Tenho a impressão de que te conheço pessoalmente.

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